O mercado de franchising registou um crescimento de 5,9% no 2º trimestre deste ano em relação ao mesmo período de 2018. A receita passou de R$ 40,734 bilhões para R$ 43,122 bilhões. No semestre, o aumento foi de 6,4% (R$ 79,496 bilhões para R$ 84,586 bilhões). Já a receita acumulada nos últimos 12 meses teve um crescimento de 6,9%, passando de R$ 168,360 bilhões para R$ 179,933 bilhões. É o que mostra a Pesquisa Trimestral de Desempenho do Setor, desenvolvida pela ABF – Associação Brasileira de Franchising.

Este desempenho foi alavancado pela abertura de novas unidades, ações de ajuste, eficiência operacional e inovação que as redes vêm implementando nos últimos anos e aderência de franchising de serviços. O crescimento moderado reflete também uma baixa inflação, procura desaquecida e confiança oscilante por parte de empresários e consumidores, em grande parte relacionada à elevada taxa de desemprego e incertezas no período em relação ao andamento das reformas e outras medidas macroeconómicas.

“O segundo trimestre foi um período de muita expectativa e do início da revisão de algumas projeções para o ano. Com isso, os investidores e consumidores ficaram mais cautelosos, aguardando algumas definições importantes, como a aprovação da reforma da Previdência. De qualquer forma, os dados mostram que o setor de franchising manteve a sua trajetória gradativa de crescimento, grande parte em virtude dos seus fundamentos básicos, como trabalho em rede, ganhos em escala, marcas consolidadas, treinamento contínuo, dentre outros fatores”, afirma André Friedheim, presidente da ABF.

O movimento de abertura e encerramento de lojas na comparação entre os meses de abril a junho deste e do ano passado teve um saldo positivo de 2,1%, com 4,3% operações abertas e 2,2% fechadas. No 2º trimestre, o volume de unidades de franchising em operação no País chegou a 159.656. Para Marcelo Maia, diretor executivo da ABF, “essa taxa de expansão é fruto do aumento da confiança empresarial com a definição eleitoral, que ocorreu principalmente no último trimestre de 2018 e no primeiro de 2019. São contratos celebrados no período que entraram em operação no segundo trimestre e impactaram positivamente o desempenho do setor”.

A disposição em investir pode ser observada também na 28ª ABF Franchising Expo, realizada em São Paulo no mês de junho. Considerada um termómetro do mercado, a maior feira de franchising do mundo em visitação registou um público recorde, de 66.200 pessoas em seus quatro dias. “Vimos mais uma vez na feira da ABF uma demonstração do elevado interesse do público visitante por empreender por meio do franchising. Podemos conferir de perto também os avanços das redes em seu processo de digitalização, com iniciativas em termos de gestão, mas também em termos de produtos, serviços e modelos de negócio”, comenta André Friedheim.

Outro importante termómetro do setor será a 13ª Expo Franchising ABF Rio, que será realizada de 12 a 14 de setembro, no Centro de Convenções SulAmérica, no Rio de Janeiro. Reconhecida como uma das mais importantes feiras de franchising da América Latina, a Expo ABF Rio trará cerca de 200 marcas expositoras dos mais diversos segmentos e novidades para o público visitante.

Geração de empregos

O setor de franchising continua a gerar novos postos de trabalho. De acordo com a pesquisa, no segundo trimestre houve um aumento de 10% no número de empregos diretos do franchising frente ao mesmo período de 2018. O total de trabalhadores registados subiu de 1.224.987 para 1.348.235. Para o presidente da ABF, “a principal razão para a alta das contratações deriva do reaquecimento da expansão das redes de franchising pelo País no período”. As novas formas de contratação da reforma trabalhista, implementada em 2017, são outro fator importante.

“Temos observado o esforço do governo e do Congresso para aprovar a reforma da Previdência. Se confirmadas essa e as demais reformas e medidas económicas como a redução da burocracia, creio que será dado um novo impulso para a economia, o Brasil voltará a crescer a taxas mais elevadas e o franchising poderá contribuir mais, como já o fez em anos passados”, completa o presidente da ABF.

Segmentos

Todos os 11 segmentos elencados pela ABF registaram variação positiva no segundo trimestre frente ao mesmo período de 2018. A pesquisa indicou que o segmento com maior crescimento entre abril e junho foi Serviços e Outros Negócios, com alta de 8,9%. Contribuíram para esse avanço o aumento da demanda por serviços administrativos e processos de automatização, a atuação de fintechs e de fornecedores da cadeia de meios de pagamento e crédito.

Serviços Educacionais registou o segundo maior crescimento, com 8,7%. Os investimentos das marcas do segmento em novos modelos embasam esse desempenho. De acordo com o estudo Diagnóstico Setorial de Educação 2019, recentemente divulgado pela ABF, as redes de educação investiram na oferta de cursos híbridos (parte das aulas presenciais e parte online), bilingues, in school (aulas em estabelecimentos de ensino parceiros), em período integral e home-based (unidades sem ponto comercial, atuando na casa do franqueado ou na do aluno). Além disso, o aumento da confiança do consumidor no 1º trimestre alavancou investimentos de longo prazo e o período de renovação de matrículas também são fatores que explicam esse crescimento.

O terceiro melhor desempenho foi registado em Comunicação, Informática e Electrónicos, com 8,5%. O segmento cresceu no período, alavancado especialmente pelos reparos de aparelhos electrónicos e venda de acessórios. Saúde, Beleza e Bem-Estar ficou em quarto lugar (6,6%), em virtude do bom desempenho das redes de odontologia, saúde e farmácias no período pesquisado. O segmento Casa e Construção (6,0 %) ficou em quinto lugar, favorecido especialmente por reformas.

Ao observarmos o desempenho dos segmentos no 1º semestre de 2019, Serviços e Outros Negócios lidera, com 9,3%, seguido de Casa e Construção e Comunicação, Informática e Electrónicos, ambos com 9,1% de crescimento da receita no período. Serviços Educacionais ficou em terceiro lugar (8,4%) e Serviços Automóveis em quarto (8,2%).

Projeções

Frente ao cenário macroeconómico e do desempenho do setor nos primeiros trimestres, a ABF revisa a projeção de crescimento do franchising para 2019 para 7% em faturação. As projeções para Número de Redes (1%), Unidades (5%) e Empregos (5%) estão mantidas.